Quais São as Dez Nações Mais Jovens do Planeta Que Ganharam Assento na ONU?
Do Sudão do Sul em 2011 a Kosovo, Montenegro, Timor-Leste e o colapso soviético, veja os 10 países mais novos do mundo que redesenharam as fronteiras globais.

É comum pensarmos nas fronteiras dos países soberanos como entidades imutáveis, consagradas há séculos por guerras imperiais do passado distante. A realidade das relações internacionais, no entanto, é dinâmica: o mapa mundi está em constante mutação. Desde a queda do Muro de Berlim e a dissolução da União Soviética e da Iugoslávia na década de 1990, mais de trinta novos Estados foram criados, alterando atlas escolares, hasteando novas bandeiras no gramado da sede das Nações Unidas em Nova York e emitindo novos passaportes e moedas. Conheça a apuração com o ranking oficial das dez nações mais jovens do planeta Terra que conquistaram a independência soberana.
O caçula do planeta: Sudão do Sul (2011)
A nação soberana mais jovem do planeta Terra é o Sudão do Sul, que conquistou sua independência oficial em 9 de julho de 2011, tornando-se o 193º Estado-membro da ONU.
A emancipação foi o desfecho trágico de mais de cinco décadas de guerra civil entre o norte muçulmano arabizado de Cartum e o sul predominantemente cristão e animista de etnias Dinka e Nuer, um conflito que custou a vida de mais de dois milhões de pessoas.
Em janeiro de 2011, supervisionado pela ONU, um referendo histórico registrou assombrosos 98,83% dos votos a favor da secessão.
Apesar de ter herdado cerca de 75% dos campos de petróleo do antigo Sudão unificado, o país nasceu sem saída para o mar e mergulhou em guerras civis internas, dependendo dos oleodutos de Cartum para exportar seu óleo pelo Mar Vermelho.
A dissolução dos Balcãs: Kosovo (2008) e Montenegro (2006)
O continente europeu viu duas novas nações surgirem no século XXI a partir dos escombros da antiga Iugoslávia.
Em 3 de junho de 2006, após um referendo onde 55,5% dos eleitores aprovaram a separação, Montenegro declarou a dissolução da federação com a Sérvia, garantindo seu assento como o 192º membro da ONU e recuperando a soberania que havia perdido após a Primeira Guerra Mundial.
Dois anos depois, em 17 de fevereiro de 2008, o parlamento de Kosovo declarou unilateralmente a independência da Sérvia.
Com uma população majoritariamente de etnia albanesa, Kosovo é hoje reconhecido por mais de 100 países (incluindo EUA, Alemanha e França), mas sua entrada plena na ONU permanece bloqueada pelo poder de veto da Rússia e da China no Conselho de Segurança, além da oposição formal de Belgrado.
A epopeia lusófona de Timor-Leste (2002)
Na Ásia, a nação mais jovem do milênio é a República Democrática de Timor-Leste, independente desde 20 de maio de 2002.
Após séculos de colonização portuguesa, o território declarou sua independência em 1975, mas foi imediatamente invadido e anexado pela Indonésia de Suharto, iniciando vinte e quatro anos de ocupação militar brutal e massacres sangrentos (como o massacre do Cemitério de Santa Cruz em Díli).
A resistência heroica liderada por Xanana Gusmão e a pressão diplomática mundial culminaram no referendo de 1999 administrado pela ONU, onde 78,5% dos timorenses votaram pela libertação.
Após um período de administração transitória internacional liderada pelo diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, Timor-Leste nasceu como o primeiro novo Estado soberano do século XXI e o único país de língua oficial portuguesa da Ásia ao lado de Macau.
O divórcio de veludo: Chéquia e Eslováquia (1993)
Em 1 de janeiro de 1993, a Europa testemunhou a dissolução pacífica mais elegante da história cartográfica moderna: o chamado ‘Divórcio de Veludo’ da Tchecoslováquia.
Após o colapso do comunismo na Revolução de Veludo de 1989 liderada pelo dramaturgo Václav Havel, divergências políticas e fiscais entre os líderes Václav Klaus (em Praga) e Vladimír Mečiar (em Bratislava) selaram a partilha amigável da nação em dois Estados independentes: a República Tcheca (Chéquia) e a República Eslovaca (Eslováquia).
Sem disparar um único tiro de fuzil, as fronteiras internas foram convertidas em limites internacionais, com os bens estatais divididos na proporção matemática exata de dois para um, tornando-se modelo diplomático de convivência civilizada.
O fechamento do Top 10: Palau, Eritreia e o colapso soviético
Completam a lista das nações mais jovens do planeta:
No Pacífico Sul, Palau tornou-se independente em 1 de outubro de 1994, encerrando o protetorado sob tutela dos Estados Unidos.
No Chifre da África, a Eritreia separou-se formalmente da Etiópia em 24 de maio de 1993 após trinta anos de guerra armada, privando a Etiópia de todo o seu litoral no Mar Vermelho.
No início dos anos 1990, o colapso formal da União Soviética em 26 de dezembro de 1991 deu à luz simultaneamente a quinze nações soberanas (como Cazaquistão, Ucrânia, Belarus, Geórgia e os Estados Bálticos), e o colapso iugoslavo criou nações como Bósnia e Herzegovina (1992) e Macedônia do Norte (1991), que completam a era mais fértil de surgimento de novas bandeiras da história moderna.
"O nascimento de uma nação não termina na assinatura da ata de independência; ele começa ali. Manter a soberania de pé em um mundo de gigantes exige mais coragem do que derrotar os generais da opressão."
| Posição | País / Estado | Data da Independência | País de Origem | Membro da ONU |
|---|---|---|---|---|
| 1º Lugar | Sudão do Sul | 9 de julho de 2011 | Sudão | Sim (193º membro desde 2011) |
| 2º Lugar | Kosovo | 17 de fevereiro de 2008 | Sérvia | Reconhecimento parcial (+100 países) |
| 3º Lugar | Montenegro | 3 de junho de 2006 | Sérvia e Montenegro | Sim (192º membro desde 2006) |
| 4º Lugar | Timor-Leste | 20 de maio de 2002 | Indonésia / Portugal | Sim (191º membro desde 2002) |
| 5º Lugar | Palau | 1 de outubro de 1994 | Estados Unidos (Tutela ONU) | Sim (185º membro desde 1994) |
| 6º Lugar | Eritreia | 24 de maio de 1993 | Etiópia | Sim (182º membro desde 1993) |
| 7º Lugar | República Tcheca (Chéquia) | 1 de janeiro de 1993 | Tchecoslováquia (Divórcio de Veludo) | Sim (Membro fundador repactuado) |
| 8º Lugar | Eslováquia | 1 de janeiro de 1993 | Tchecoslováquia (Divórcio de Veludo) | Sim (Membro fundador repactuado) |
| 9º Lugar | Bósnia e Herzegovina | 3 de março de 1992 | Iugoslávia | Sim (desde maio de 1992) |
| 10º Lugar | Cazaquistão / Repúblicas pós-URSS | Dezembro de 1991 | União Soviética (Dissolução formal) | Sim (desde 1992) |
Bougainville: O Próximo País do Mundo?
O próximo país a ingressar na ONU pode surgir no Pacífico Sul. Em 2019, a ilha de Bougainville realizou um referendo de autodeterminação após décadas de conflito armado com a Papua-Nova Guiné: impressionantes 97,7% da população votaram pela independência total. O governo de Bougainville e o parlamento de Port Moresby negociam os termos de transferência de poderes para proclamar oficialmente a República de Bougainville até 2027.
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