Vista aérea do município espanhol de Llívia cercado pelo departamento francês dos Pirenéus Orientais

Se você dirigir pelas estradas alpinas do departamento francês dos Pirineus Orientais, passará por uma placa indicando a entrada no município de Llívia. De repente, a língua oficial passa a ser o catalão e o espanhol, a polícia veste o uniforme dos Mossos d'Esquadra e você está em solo da Espanha, embora esteja a quase dois quilômetros de distância da fronteira espanhola mais próxima.

A brecha semântica do Tratado de 1659

Como esse enclave de 12,8 km² sobreviveu? Pelo Tratado dos Pirineus de 1659, a Espanha concordou em ceder ao Reino da França todas as *"vilas"* (em francês, *villages*) da comarca de Cerdanha localizadas ao norte da cordilheira.

Os negociadores de Madri, no entanto, usaram uma jogada genial de linguagem jurídica: séculos antes, o Imperador Carlos V havia concedido a Llívia o status solene de "Cidade" (*ciudad*), devido à sua herança romana ancestral como capital regional (*Iulia Libica*).

"Como o tratado previa explicitamente a cessão de 'vilas' e não de 'cidades', a Espanha recusou-se a entregar Llívia, e a diplomacia francesa foi obrigada a aceitar a manutenção da cidade sob a soberania de Madri."

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