Embarcações de patrulha da Armada Boliviana navegando no Lago Titicaca a 3.812 metros de altitude

A Bolívia é, ao lado do Paraguai, um dos dois únicos países sem litoral de toda a América do Sul. No entanto, suas Forças Armadas contam com uma instituição ativa e respeitada: a Armada Boliviana, com cerca de 5.000 marinheiros e oficiais fardados, barcos de patrulha e infantaria naval.

A Guerra do Pacífico de 1879

A Bolívia nem sempre foi um país trancado nos Andes. Até 1879, a província boliviana do Litoral estendia-se por mais de 400 quilômetros de costa no Oceano Pacífico, englobando portos como Antofagasta e ricas reservas de salitre no deserto do Atacama.

Durante a Guerra do Pacífico (1879-1884), o Chile derrotou a aliança entre Bolívia e Peru, anexando todo o litoral boliviano. Pelo Tratado de Paz de 1904, La Paz aceitou a perda em troca de concessões ferroviárias e livre trânsito comercial, mas a perda do mar transformou-se no maior trauma nacional da história boliviana.

"Todos os anos, em 23 de março, a Bolívia celebra o 'Día del Mar'. Na Constituição do país, recuperar um acesso soberano ao Pacífico é um objetivo inalienável de Estado."

Onde navega a marinha sem oceano?

Enquanto aguarda uma solução diplomática que nunca chega, a Armada Boliviana opera em três bacias estratégicas:

  • No Lago Titicaca, a 3.812 metros de altitude (o lago navegável mais alto do mundo), onde mantém bases navais e escola de mergulhadores.
  • Na Bacia Amazônica, patrulhando milhares de quilômetros de rios fronteiriços contra o narcotráfico.
  • Na hidrovia Paraguai-Paraná, garantindo sua saída fluvial comercial até o Oceano Atlântico.

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